quarta-feira, 31 de julho de 2013

Brackets

Segue uma espécie de adenda à publicação anterior. Estive à procura, e encontrei isto na net:


Quero isto dizer: afinal sempre existem poleias em verde rústico por aí. Mas só aprecio a primeira.

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Aqui, as da Anthropologie. As minhas são as últimas: vineyard brackets, ainda mais bonitas ao vivo.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Estantes

A prateleira em escadinha (ver "Mãos à Obra!") é para colocar no quarto. Vai encostar à parede cinzenta, do lado esquerdo, com o tampo superior a começar na parede que com ela faz esquina. Quer isto dizer que ficará à direita do tocador que terá função de escrivaninha, e que o mais baixo dos tampos fará as vezes de mesa de cabeceira. Levou várias camadas de tapa-poros e foi muito bem lixadinha. Agora só falta pintar de branco. Mais concretamente, falta eu descobrir onde diabo guardei a lata de tinta que já comprei há imenso tempo.


A outra tabuínha é para fazer uma prateleira rústica na cozinha. Resgatei-a da rua, já que procurava algo realmente usado e tosco. Vinha toda suja, cravejada de pregos ferrugentos e com aquela cor castanho acinzentado que eu adoro na madeira. Foi toda lavadinha (a esfregão, detergente e mangueiradas) e isoladinha com tapa-poros (nada de verniz, para não perder o aspecto baço). E, apesar de ter vindo à superfície a sua cor original (bem mais clara e amarelada do que parecia), continua cheiínha de charme. 

A ideia é apoiá-la numas poleias (também chamadas cantoneiras ou mãos francesas) que mandei vir propositadamente da Anthropologie. Estas poleias é que já não são genuínas, e sim uma excelente imitação do rústico. É que eu meti na cabeça que as queria em verde (apesar de também as adorar em branquinho decapé, só que para colocar sobre a parede branca, entre o frigorífico e uma mesa da mesma cor, achei menos interessante); e as que encontrei à venda não vinham com as suas pinturas antigas, e sim com umas pinceladas de esmalte a tentar tapar-lhes a idade, de uns verdes muito garridos, com tinta acumulada nos cantos e outras misérias que lhes tiravam toda a beleza. Vai daí, das duas uma: ou as adquiria 'ao natural', em ferro forjado, ou insistia na vontade de as encontrar com aquele aspecto com que as imaginei. Insisti, e encontrei. Não as encontro é na página de onde as mandei vir, por isso, por enquanto ficam aqui estas inspirações:




Adenda: acabei por encontrar as poleias que eu queria mostrar. Mostro-as aqui.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Uma questão de estilo(s)

Não me perguntem qual o estilo predominante na minha casa, porque eu não sei. 

Sei que, como busca ser uma casinha de campo na cidade (assim a senti, e assim a quero), terá sempre um quê de inspiração rural e, inevitavelmente, uma boa parte urbana.
Contudo, no que toca às tendências de decoração de interiores, é apenas isso que eu lhe posso perceber: tendências!... E não um sentido único, uma regra determinada. 
E de outra forma não poderia ser, pois sempre me identifiquei com a mistura de culturas, seja na arte, seja na moda, e muito na gastronomia, que me agrada a de fusão.
De resto, a decoração que fazemos dos espaços reflecte a nossa personalidade e a nossa forma de estar no mundo, de entre tantos outros factores, conscientes e inconscientes. Donde, pode lá o ser humano, cuja natureza é de si multidimensional, ser tão atinadinho (e limitado), que consiga definir inteiramente aquilo de que gosta e de que não gosta? Quiça não goste disto ou daquilo porque não o experimentou,  porque a vida lho deu a provar da pior forma, por isto ou por aquilo... Sobretudo, e em tudo, "eu sou eu e a minha circunstância" (Ortega Y Gasset).

Mas não deixa de ser verdade que, pensando no assunto, consigo identificar algumas inclinações para este e aquele estilos na decoração da casa; vejamos:

É evidente que um forte sentido rústico comanda as minhas escolhas. Não um rústico puro e duro, quase rupestre, mas lembrando a aldeia, simples e despojado, como se mesmo ali ao lado ficasse a horta, a coelheira, o galinheiro e o poço de que dependeria a minha sobrevivência. Já agora, ainda bem que tive a oportunidade de viver tudo isso em criança, pois é experiência que deixa saudades (e competências).
 

(ambientes intensamente rústicos, e que dificilmente permitem assegurar a segurança e a higiene, bem como a funcionalidade, que hoje em dia exigimos)

No entanto, a cortar com esse traçado de extrema humildade, impõe-se um registo de tipo provençal (rústico romântico), que se traduz por uma maior luminosidade, um maior cuidado, mais serenidade também; imprime algo de bucólico, digo eu. Apesar dos acabamentos desgastados e patinados, tudo se torna mais light quando pontuado por elementos florais (que no meu caso são subentendido nas cores, pois abomino padrões floridos, assim como as rendas, também frequentes neste estilo, mas interditas no meu mundo).

Visto que não me agradam estampados florais, escolhi, propositadamente, imagens que os não priviligiem.  

Quer então dizer que o estilo que prevalece lá por casa segue uma orientação campestre (com abordagens à natureza, a procura de refúgios acolhedores e referências de rusticidade) mas escusa-se ao excesso de romantismo, de delicadeza e de feminilidade, a meu ver heranças da antiga presença de uma dona de casa zelando pelo equilíbrio do lar (quando mandam os tempos que a mulher saia porta fora e contribua para o equilíbrio do mundo). E, por tudo isso, não chega a assumir-se como estilo cottage, alegadamente bem mais elaborado, ornamental e detalhado que o provençal. Daí que estou sempre com medo que me entrem por uma loja de decoração e me comprem qualquer coisa suave e floral, quando disso basta o que recebo quando abro a porta para o quintal. É que essa coisa de shabby chic, como agora sói dizer-se, peca por ser demasiado afectada e nada minimal. E com todos esses objectos que agora se vendem por aí a imitar o antigo, os ambientes passam a cenários, o natural a artificial,  o simples a confuso, o arejado vira soterrado. 
Apresento um pequeno exemplo (e nem por isso com as melhores imagens de que disponho para o efeito, mas com as que tenho mais à mão):


Um ambiente rústico simples ("usa-se o que há") e um shabby chic intenso, muito composto e adornado.

E sendo certo que alguns dos itens decorativos que possuo são meras imitações (certos vasos e molduras, mais recentemente uma galinha em ferro forjado para colocar os ovos, e até as poleias para a prateleira rústica que pretendo na cozinha), outros são originais (algumas cadeiras e um banco, o candeeiro a petróleo da avó, a tábua com que será feita aquela prateleira). Quero com isto dizer que, sem dramas, preconceitos  nem obstinações, sempre que possível, dou prioridade ao que seja genuíno. A forma como combino uns e outros é, claro, muito minha. Mas se há uma coisa que eu tento não fazer, é forçar, introduzindo elementos que não tenham qualquer função, e que irão ali ficar apenas para fingir qualquer coisa que não é. Concordo plenamente com este artigo: o que faria uma charrua ou uma peneira de palha no meu quintal, senão de conta? Outra coisa que me faz confusão é ver imagens de espaços que na realidade não podem ser assim; que não resultam, não satisfazem; que apenas serviram para proporcionar uma fotografia e sair numa revista. 


Aqui não sei se é possível considerarmos uma versão light do shabby chic; uma tentativa de prossecução do estilo mas num modo mais ligeiro, mais suave e bem mais discreto; na verdade, um tanto mais "plástico". Não juraria, mas...

Vai daí, eu arriscaria dizer que o meu tipo de rústico, apesar de percorrer vários expectros, se situa algo orientado para o estilo colonial, um pouco mais cuidado, mais morno e aconchegante do que o rústico puro, mas ao mesmo tempo mais sóbrio do que o rústico embonecado, por demais mimoso e para mim enjoativo.
Falta ainda referir que não me vejo apenas como de pedra e cal (aqui no sentido de aldeia), nisso da decoração, mas também um pouco madeira e ferro, terra e fuligem. É dizer: ambientes demasiado acépticos não são propriamente a minha praia.

O estilo country puxa realmente por mim, pelo que se a casa fosse na pradaria, não me daria ao luxo de procurar a brancura que me vem orientando, e adoptaria de uma vez por todas 'a moda celeiro'. Não vou por aí, ou seria fachada, e o mais perto de uma cabana que eu tenho é mesmo o anexo, e esse nem o sei definir, não apenas porque ainda está vazio lá por dentro, mas também ainda algo vazio na minha cabeça. Por fim, sinto também como que uma certa presença do estilo toscano aqui e ali, sobretudo no exterior. Mas isto são outros quinhentos, e não quero confundir ninguém, e muito menos a mim. Lá digo eu: miscigenação  de estilos, afinal, se bem que muito diluída, esbatendo-se as fronteiras, tentando que o melhor de cada nos leve por um caminho único, o do bem-estar. Quer até parecer-me que cada divisão poderá ter, meio que em surdina, um maior pendor por parte de um estilo: a cozinha a puxar mais à aldeia, o quarto um pouco mais provençal, a sala de tendência mais fusional.

Com tudo isto, sei bem melhor do que não gosto: da austeridade medieval, dos excessos de requinte de tipo imperialista presente no estilo victoriano, da exuberância barroca (aqueles brocados, torneados, dourados, entalhes, é que nem vê-los!). Também não aprecio o estilo moderno, demasiado recto, sofisticado, colorido ou clean. E nem o retrô ou vintage (anos 20 a 60), por demais citadinos; nomeadamente o art-deco, tipicamente cosmopolita. Já o estilo contemporâneo, não me faz nem bem nem mal e depende das escolhas.

Mas existem outras tendências e influências que também me agradam, tais como as étnicas: a africana, a oriental, o estilo marroquino, o mexicano; inspirações cuja beleza reconheço, apesar de não as adoptar.




Outro estilo a que acho particular piada é ao industrial, muito usado em lofts anglosaxónicos feitos de antigos armazéns, fábricas ou mesmo igrejas, com imenso tijolo à vista, os bancos de rosca, aquelas janelas em ferro que eu adoro (pivotantes e basculantes - cuja rotação se faz em torno do eixo) e alguns outros apontamentos que aprecio sobremaneira, mas que dificilmente conseguem alinhar com as restantes inspirações de que sou fã.


Nenhuma destas imagens é aquela que eu tinha na ideia mostrar, pois não a encontro.

Em todo o caso, aquilo de que sou fã estou eu longe de o conseguir exprimir de uma penada. Até porque, a par do gosto pelo branco de umas paredes caiadas cobertas de sol com as janelas abertas de par em par e o horizonte a invadir a alma, também me agrada a exigência da terra, a frieza da pedra, o rudimentar forno a lenha e toda uma crueza quase primitiva, que puxa pelo corpo, que só existe realmente no campo e que segue o filão oposto ao da conquista do conforto; mas que talvez seja o que me impede de me tornar demasiado "certinha" no que aos estilos diz respeito, buscando conservar o que é simples e natural, numa secreta procura pelo básico, pelas raízes, por qualquer coisa de mais atávico, talvez.

Por fim, aprendi há pouco tempo um conceito que parece vir ao encontro dos meus objectivos de decoração: o de wabi-sabi. Segundo li aquiwabi refere-se a ‘coisas simples e frescas’ e ‘sabi’ a coisas cuja beleza ‘foi adquirida com a idade’. Assim, "a decoração wabi-sabi tem por base uma estética minimal onde sobressai a naturalidade, a simplicidade e a rusticidade das peças. Procura demarcar-se do luxo e da ostentação, da evolução tecnológica ou do design moderno. As imperfeições e os sinais da passagem do tempo assumem-se como testemunhos de vida. É a beleza das coisas tal qual como elas são. Aqui, a espiritualidade, as boas energias e o conforto dentro de casa são encarados como algo fundamental, mas para isso os espaços não podem estar repletos de objectos, há que eliminar o supérfluo".

Eis, então, os principais mandamentos deste estilo, com cuja maioria dos quais é certo que me identifico: "privilegiar ambientes minimalistas e modestos, funcionais e sentimentais; manter as divisões pouco cheias; assumir como base o branco e os tons terra; dar primazia a materiais como a madeira envelhecida; pedra; barro; lã; algodão; linho; evitar o plástico, mármores, vidro e lycra [à parte a questão do mármore, que é uma pedra natural, tudo o resto subscrevo]; reciclar ao máximo; reaproveitar objectos, comprar em antiguidades ou feiras; rodear-se de tudo o que está ligado à natureza: plantas, flores, ramos de árvores; manter os espaços organizados; beneficiar ao máximo da luz natural; aceitar a beleza da imperfeição e das formas irregulares; decorar com peças sentimentais, como fotografias ou têxteis bordados à mão [esta não sigo inteiramente, por causa dos bordados]; encontrar um ‘recanto’ no qual se possa dedicar à meditação".


Imagens representativas do estilo wabbi-sabi... De uma simplicidade desconcertante.
A últimas das imagens pertence à Companhia das Culturas (Agroturismo), em Castro Marim: http://companhiadasculturas.com/
 
À guisa de conclusão: muitos conceitos vão sendo criados (na tentativa de diferenciar as tendências, e quantas vezes entrecruzando-as), mas que importa dar nomes às coisas e saber de cor e com toda a propriedade qual o estilo que impera aqui e ali, se o ambiente de um espaço é isso mesmo: "ambiente"... E assim como para Kant "a estética é o que agrada sem conceito", o ambiente de uma casa é aquilo que é dado sentir a cada qual que nela entre e dela frua. É a alma, a aura, a ressonância, são as vibes; e não se explica, sendo da sua natureza escapar-se a qualquer tentativa de definição que o tente aprisionar.

IKEA II

Do sofá

Claro que haverá outros, e até bem mais baratos. Mas a paciência para procurar nunca foi muita. Talvez porque eu e os sofás não temos lá muito a ver. A passear-me pelo IKEA, comecei por me encantar pelo cinza escuro (creio que idealizava um em cinza claro, mas nada do que via me agradava) e com os braços bem rectos, de tal maneira que seria possível servir-me deles como base para colocar um caderno e ir escrevendo, o que já tem um pouco mais a ver comigo. Ou mesmo para, esporadicamente, colocar um tabuleirozinho com uma sandes e um copo de leite. Todavia, à medida que o tempo fui passando (e eu observo os mesmos sofás expostos no IKEA há quase dois anos), fui tomando noção de alguns aspectos:

1) Em braços como esses, à medida que o sofá vai sendo usado, nota-se imenso as deformações; ou seja,  uma vez que as costuras que demarcam os seus contornos saiam do sítio, salta logo à vista um perfil torto.
2) O modelo "irmão", de formas curvas, apresenta um estilo mais clássico, que vai muito bem com a sala. Não poderei usar os braços como pequeno balcão, mas, em contrapartida, dão excelentes almofadas! :-)
3) Por fim, o tom castanho-cinza condiz melhor com o ambiente, na medida em que é "seco" e mais rústico.


Da cama

Esteve para ser feita à medida. Cheguei até a desenhá-la, como desenhei os armários da cozinha, o roupeiro e a despensa. Não a queria com mais de 1.90 cm de comprimento, de modo a permitir ainda uma banqueta a seus pés. Tinha era de ter bons gavetões e, de resto, ser branca e simples, sem cabeceira, para não "encher" demasiado a parede de um quarto que, não sendo grande, quero que se mantenha bem "arejado". Cheguei até a pensar em juntar, costas com costas, dois armários baixos, sobre os quais colocaria o colchão, sem qualquer tipo de estrado, que não preciso. Agradam-me até os colchões postos sobre o solo.
Mas, no entretanto, achei esta cama, vendida pela módica quantia de 199€ ou 189€, consoante sejam as suas dimensões respectivamente de 160 X 200 ou 140 X 200. Perco 10 cm, é certo, mas o preço é bom. Se é bonita ou não, pouco importa, já que o edredão a irá tapar na sua quase totalidade. Mas até não é feia.


Da marquise

Foi logo desde que me enamorei pela casa, que senti que naquela marquise havia de fazer uma espécie de recanto descontraído, com uma mesinha e duas cadeiras. As primeiras visitas à casa foram ainda de inverno, o que me permitiu imaginar-me ali a ler um livro e a saborear um vinho vendo a chuva a cair nos vidros. Mais tarde, já com o tempo bom, vi-me a escrever ou a beber um chá com uma amiga, com as janelas abertas de par em par, deixando entrar a brisa morna, os aromas das árvores e o chilrear dos pardais.
Cadeirões já eu vi para lá de muitos, em casas de estilo rústico, como a Companhia do Campo, ou mesmo as lojas Viva e outras. Mas sempre demasiado caras, sendo que o que busco é um conforto simples. Certo  dia reparei nas poltronas de verga do IKEA. De todas as que lá se vendem, foram estas as que me saltaram à vista como sendo perfeitas. Já houve quem me tentasse convencer a ponderar uma outras, brancas, mas é exactamente estas, e desta cor, que eu pretendo. Mais: são extremamente confortáveis e, apesar de serem das mais caras de toda a gama IKEA, custam menos de metade do preço de quaisquer outras a que eu possa ter chegado já a achar alguma graça.

Já a camilha, essa tem uma história diferente: eu, que até prefiro sempre a madeira ao metal, dei comigo a fazer uma escolha deveras inesperada. Explicando: a loja de decoração Casa tem à venda uma mesinha muito querida, com o (tri)pé pintado de branco e o tampo em madeira natural, rústico e lindíssimo. Mas então não é que, ainda assim, o IKEA me ganhou?! Não sei... Havia qualquer coisa na outra mesa que parecia não bater lá muito bem. E não era pelo preço, que não chegava a 40€. Não sei se seria o excesso de madeira que senti que traria àquele espaço, ou o risco de o escurecer em demasia, mas algo se me apresentava como que "pesado" demais. Já a que comprei permite-me manter a graciosidade que  pretendo, é super económica (15€), fácil de limpar e à prova de cachorro afiador de dentes em património alheio, para além do que tem uma prateleirinha que é um mimo para eu colocar um vasinho de manjerico. Que a da Casa é mais bonita, disso não tenho dúvida alguma. Mas que me parece que o resultado final é capaz de ficar mais leve assim, parece. Para além disso, torna-se mais prático e funcional nos usos do dia-a-dia.



E assim é esta tríade de opções IKEA.

Creio que se percebe que tendo a ser um bocadinho monocromática. Não é fácil verem-me a comprar algo de cores primárias ou garridas, de facto. Gosto de cor, mas na decoração de interiores creio que prefiro que essas sejam trazidas por elementos naturais, sendo o seu efeito mais rico se contrastando com uma base mais neutra. De resto, nesta casa as cores são ditadas pela busca pelo provençal: a parede do quarto é cinzenta, a do anexo é bege, o chão imita a madeira, os móveis da cozinha são num branco sujo / amarelado. A sala, essa tem duas paredes cor de alfazema, para a tornar mais luminosa. Um tom mais rosáceo chegou a ser considerado, mas achei-o demasiado romântico, e "puxei-o" um pouco mais para o lilás. Outras cores são ainda possíveis nas paletas provençais, como o verde seco (que usarei apenas no exterior: nas portas da churrasqueira e nas portadas do anexo) e um certo azul que, apesar de eu adorar, foi completamente banido. É que eu imagino-o perfeito numa casa que seja perto do mar; que cheire a maresia.



domingo, 21 de abril de 2013

IKEA I

Não era suposto eu comprar o sofá já. Primeiro a cama, depois o frigorífico e por fim, então, o sofanito. Mas acontece que o IKEA lançou uma promoção que terminava ontem, e consistia em 15% de desconto em vale (utilizável numa compra seguinte até ao mês de Agosto) e a entrega do artigo em casa por apenas 10€. Ora, sabendo que, se assim não fosse, só pela entrega eu iria ter de pagar 60€ (o mínimo é 30€, mas o peso do sofá coloca-o no escalão seguinte), e custando o sofá 500€, contas feitas economizei o seguinte:

75€ (15% de 500€) + 50€ (60€ - 10€) = 125€

Nada mau, se tivermos em conta que as cadeiras de palha que eu ando a namorar para a marquise, e que costumam custar 80€, estão temporariamente a 60€, e eu pretendo adquirir duas! Considerem-se pagas! J

(Disponível em castanho escuro, castanho, castanho-cinza, cinzento bege e ferrugem)


Se sou fã do IKEA? Na verdade, sou! Sou fã dos espaços, do conceito e da genialidade que encontro aqui e ali, já para não falar da cultura nórdica, que aprecio bastante. E fã da empresa em si, na qual gostaria de poder investir o que de melhor tenho e sou, numa perspectiva de carreira sem qualquer dúvida votada ao sucesso. Por isso sim, sou grande fã. Contudo, para mobilar a minha casa, não tão fanática assim, ou seja, não abuso, sou comedida.  Digamos que uma peça por divisão, devidamente integrada num outro universo, para mim é o que vai bem. Peças de presença bem assumida, para que se lhes garanta a oportunidade de brilharem, mas sem se imporem como um estilo determinado e determinante, e sem cheirar a página de catálogo. Afinal, uma casa tem de cheirar a nós mesmos. E nós somos uma construção de tudo um pouco.
Assim, eis o que irei adoptar: o sofá, a cama e a mesinha com as cadeiras na marquise.
Zero na cozinha e na casa de banho.  E, até agora, zero também no quintal e no anexo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Mãos à obra!


Desde o início que tenho pensada uma estante em escada para encostar numa parede do meu quarto (na verdade, para encostar a duas, porque o seu início também encostará a outra, sendo que finaliza sobre o chão). 

A ideia é conseguir uma prateleira multi-usos, em que o último degrau sirva de mesa de cabeceira, onde poisar um relógio e um livro, por exemplo. E pretendo que ela seja amovível, para que eu a possa deslocar no máximo um par de vezes por ano e assim aceder à gaveta da cama que ela irá obstruir e na qual irei guardar lençóis de inverno e o edredão.

O primeiro orçamento que me deram foi de 130€. Está bem que esse foi pedido a uma casa de artistas da madeira (onde foram feitos os tampos para a casa de banho), pelo que daí não poderia estar à espera de milagres. Mas a última consulta que fiz (à empresa que me fez a despensa, e considerando já um material menos nobre) ainda me ficou em 70€. 

Ora, será que se justifica pagar um valor desses para juntar 8 tábuas de 30 X 30cm e depois dar-lhes uma pintadela? Não, enquanto eu tiver duas mãozinhas e a teimosia que desde sempre me acompanha! corri para o Leroy Merlin, mandei cortar a madeira, já me muni dos devidos materiais e ferramentas (lixa, buchas, parafusos, berbequim, nível, tintas, rolo e pincel) e recorri a um consultor especializado que dá pelo nome de Pai. :-)

Agora é só pôr as mãos na massa! Antes isso, do que as mãos alheias na minha massa. Bom, a ver vamos!

Refira-se que o único trabalho manual que costumo fazer com reconhecida competência é o de teclar, mas...

Wish me luck! 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Nem tudo é mau


Na primeira foto, a amplitude do corredor da marquise. Infelizmente tenho ali pendurado um "sarcófago" branco, que mais não é do que a caixa onde enrolam as grades de segurança, e que, tendo sido inicialmente instalada do lado de fora da casa, acabou por ter de ser transferido para o seu interior... Uma história para contar com mais paciência.
 
A ideia é colocar, à direita, junto à parede que divide a marquise da sala, a mesinha do tipo camilha e duas cadeiras de verga (aqui). E, ao fundo, à esquerda da porta do quarto dos arrumos, uma cristaleira com função de biblioteca.

Na imagem seguinte, o quarto, e um ensaio com o tocador que irá fazer as vezes de escrivaninha (terei de lhe cortar o tampo inferior, junto aos pés) sob a janela, só para ter a noção exacta do aspecto. Adoro!

Segue-se um ângulo da sala de estar, com o seu recanto de tijolinhos, a contrastar com duas paredes brancas e outras duas lilases (aquele banco de madeira não é para ficar ali, mas para servir como mesa de apoio, em frente ao sofá).

E mais um ensaio dos objectos no espaço, desta vez na casa-de-banho. Um dos tampos de madeira (feitos por encomenda) ainda se encontra isolado e, de modo a caberem sobre ele cestas de arrumação.

Agora digam-me lá como é que é possível uma pessoa ficar chateada durante muito tempo com os sucessivos azares que lhe acontecem, quando tem no seu quintal um limoeiro heróico (que mesmo à sede e ao abandono se mantém fiel à sua missão - e dá limões bem sumarentos!), e a visita constante dos melros, para além de mil pardalitos?... 

Duas semanas noutro mundo

Duas semanas! Duas semanas todos os dias metida na casota. Por três principais motivos:

1) Colocação de portas na despensa (e nos contadores);
2) Limpeza do chão da casa (sujo por pura negligência);
3) Restauro da porta de entrada.

As histórias:

1. A DESPENSA

A despensa foi desenhada por mim e acabaria por ter de ser eu a comprar e mandar cortar as tábuas à medida para fazer as prateleiras. Como o pseudo-empreiteiro a quem paguei por uma obra inteira nem sequer me arranjou forma de eu ter as prateleiras cortadas de uma vez em “U”, fui ao Leroy e comprei as madeiras para as fazer. Tábuas que ele fixou à parede de forma anedótica, principalmente as de baixo: cada uma levou duas poleias, mas foi tudo tão feito a olho, que nenhumas das três tábuas se alinhavam, coisa que decidiu consertar com recurso a postas industriais de silicone. Eu acabaria por fazer o luto da situação, metendo na cabeça que “uma despensa é só uma despensa” e que há males bem piores neste mundo, mas percebi logo por aí (e por outros trabalhos que vi) que a feitura das portas eu teria de entregar a um profissional.

Vai daí, consultei por carpinteiros, foi-me aconselhado um, contactei-o e fomos lá para ele me orçamentar o trabalho. Tive de regatear imenso, e mesmo assim a brincadeira ficou-me em 350€. O Sr. ainda lá voltou uma vez, para rectificar medidas, e pouco depois já tinha as portas feitas e prontas para instalar. Uma delas teve de ir de volta porque não tinha a furação feita no local devido, mas logo depois concluíam o trabalho.



(Imagens prévias à instalação das portas: etapas da construção de uma pequena parede de pladur, um trabalho realizado pelo Sr. João , que tem sido uma preciosa ajuda e uma lufada de ar fresco, de sabedoria e de competência).


Se ficou bom? Não, não ficou bom. Tive uma crise emocional levada da breca assim que os fulanos saíram da minha casa. Na verdade, tinha pressa em que saíssem para eu poder dar-me ao luxo de curtir esse episódio de auto-comiseração que já se justifica...

O material é ‘ranhoso’ (eu vira uma amostra da laminado, mas de 5 X 10 cm, que pouca noção permite), todo ‘tocado’ e ‘picado’ (cheio de pontinhos de falta de branco nas arestas), o que dá um ar um bocado ‘abarracado’ à coisa, como se aquilo fosse um armário de esconder ao canto da cozinha de uma casa clandestina da Costa da Caparica. Foi do que me lembrei na altura. Passo o preconceito implícito, e defendo-me com o facto de não termos culpa daquilo que nos vem à mente. Tem a ver com as nossas memórias e com a nossa imaginação.

Pelos vistos arrisquei mal, tomada talvez pelo choque de um orçamento prévio, de 800€!

Logo para começar, as portas vieram sem moldura, quando eu pedira com. Mas aceitei a sugestão de os deixar colocarem-nas e ver o resultado. E acabei por aceitá-las assim, ao perceber que não seriam os frisos ao redor que iriam operar ali um milagre. Perdido por cem, perdido por mil. Definitivamente, aquele novo objecto atentava completamente contra o estilo rústico que eu defini para a casa. Era entrar no hall e encarar o plástico!!!

Para ajudar à festa, as portas ficaram a cerca de 1cm do chão, com 3 mm entre elas e a uma distância de 4 mm das aduelas. Assim não há o risco de nos esquecermos da luz da despensa acesa. Aliás, quase nem vale a pena abrir as portas para ver se falta algum mantimento... É só uma questão de ângulo visual. "Perfeito"!

Mas o que mais me danou, o que mais me perturbou, o que mais me entristeceu, foi o terem-me cortado as prateleiras. Efectivamente, fizeram-me recortes em seis das tábuas (das tabuinhas que eu visualizei, medi e cortei) para poder encaixar as guias que serviram de estrutura às portas. Isso porque não o souberam fazer de outra maneira; da forma inversa e que seria bem possível: bastava fixar as guias à parede, mas aos pedaços, i.e., um pequeno segmento entre cada prateleira. Em suma: ‘cortava-se’ a viga, e não as prateleiras. Aquilo assim não tem jeito nenhum e sangrou-me o coraçanito todo.

Por fim, viva o silicone! Silicone e mais silicone aos montes, por tudo quanto é canto. Silicone em exagero e mal posto. Silicone grosso, a fazer meia cana e com aquele super brilho a fazer reflexo ao redor de uma despensa que é mate. Silicone a tapar buracos enormes, sem qualquer pejo. Silicone onde havia de ser massa, para eu poder pintar depois da cor das paredes. Ou silicone pintável, que fosse... Mas que não é. É péssimo!

De resto, profissionais muito atenciosos e prestáveis, despachados e incansáveis, esclarecedores e simpáticos... Nada a dizer sobre as suas posturas. “Só” o trabalho é que ficou como ficou. E eu faço questão de expor aqui as imagens dos bastidores.


Agora é fazer um mealheirozinho e recomeçar tudo: mandar cortar novas tábuas para refazer as seis prateleiras que foram sacrificadas e encomendar outras portas, claro.


2. A LIMPEZA DO CHÃO

Em curtos traços: era uma vez um chão feito com mosaicos a imitar madeira, bastante sulcados e anti-derrapantes (ásperos) com o qual pedi, por milhentas vezes (oralmente e por escrito) o maior dos cuidados. O pseudo-empreiteiro que o cobrisse, que o isolasse, que o protegesse religiosamente, uma vez que qualquer sujidade ali se entranharia de forma séria. Que não, que não era preciso, dizia-me ele. Que estava habituado a trabalhar assim, e que no fim toda a sujidade sairia. Que sim, que sim, que o exigia, dizia-lhe eu. Porque aquele não era um chão qualquer, e porque o meu instinto me gritava isso, e porque certamente que ele nunca apanhara aquele tipo de chão. Ele continuava a não cumprir, e eu a refilar. E deveria tê-lo posto na rua naquele exacto momento, mas não pus. E o chão foi-se sujando cada vez mais. Cimento, massa, estuque, tintas e demais elementos foram-se adentrando pelos laivos, tornando o chão absolutamente cinzento.
Ao mesmo tempo, acontecia exactamente o mesmo noutra obra, noutra casa, com mosaicos de outra cor mas da mesmíssima qualidade. Quando chegou a altura de se limpar esse chão, percebeu-se a magnitude do erro. Nem o trabalho de uma empresa especialista em limpeza industrial e pós-obra bastou uma, duas e três vezes. “Limpeza profunda” é o nome da opção mais cara que disponibilizam. Mas a verdade é que ainda hoje aqueles mosaicos têm marcas visíveis da negligência de que foram vítimas. Fartei-me de avisar: - Eu quero este chão tapado IMEDIATAMENTE! É para parar tudo o que estiver a ser feito que os suje, e continuar apenas com eles cobertos! - mas eu não podia ir à casa todos os dias ver, e isso não foi feito. E, às tantas, o discurso já só podia ser um: - Os meus mosaicos vão pelo mesmo caminho que os outros, mas não por falta de aviso; e eu não estou para pagar novo e receber velho; por isso, se eles ficarem como os outros ficaram depois de limpos, você [o pseudo-cujo] vai ter ter de arcar com as consequências, retirá-los a todos e colocar outros por sua conta! - o pior é que já poucos desses mosaicos havia à venda, mas enfim...

E está claro que acabou por acontecer o que se previa. E está claro que foi ainda um bocadinho pior do que o que se previa. Porque o pseudo-empreiteiro não tem onde cair morto (tem dias de não ter dinheiro para ir trabalhar) e não há forma de eu o conseguir responsabilizar à séria (levasse-o eu a tribunal, o tipo não tem bens em nome dele). Daí que o tenha lá em regime de trabalhos forçados, só a terminar os mínimos que ficaram em falta por preguiça, incúria e desleixo, e a remendar o muito que vem fazendo mal.

Mas o que se passou com a empresa de limpeza não foi nada simpático. E eu vou contar: quando me vi na necessidade de contratar esse serviço, foi-me aconselhada a mesma que efectuara o trabalho na outra casa, em iguais mosaicos e situação. E eu escrevi um e-mail ao responsável, a perguntar-lhe se aceitavam o trabalho, a pedir um orçamento e desde logo a relembrar-lhes a tipologia dos mosaicos, o episódio anterior (perguntava-lhes eu se a experiência teria servido para tirarem conclusões quanto aos produtos e técnicas a aplicar naquele piso), etc. O orçamento foi o mesmo: 80€.

A coisa começa logo mal quando um dos elementos da equipa (do casal, pois que a equipa é formada por marido e mulher) liga para o chefe a dizer que afinal aqueles mosaicos se apresentavam num estado muito pior do que os outros. Nada mais do que um engano, claro, devido ao facto de estes serem mais claros e acinzentados de origem. E como o indivíduo pensava que ia apanhar uns mosaicos da mesma cor dos outros (que são mais castanho escuro) concluiu que a “brancura” dos meus era apenas devida ao pó. Assim que eu lhe mostrei uma peça virgem ele lá percebeu que se enganara; menos mal.

No primeiro dia limparam com a máquina rotativa, deram-me cabo das paredes na zona dos rodapés e tiveram de se ir embora antes de o chão secar, pelo que já não aplicaram o “selante”, uma espécie de cera acrílica que é suposto dar-se no fim de tudo bem limpo. Só eu lá fiquei até o chão secar; e assim que ele secou, o que os meus olhos viram foi tudo exactamente igual!!! Apressei-me a tirar fotografias e a enviá-las ao senhor chefe daquela dupla, esclarecendo que a segunda visita não poderia ser para passar logo o produto final, uma vez que o chão estava longe de estar limpo. Estava quase na mesma, e por todo o lado se viam manchas de tinta, em forma de pingos, e muito mais que isso.
Lá marcámos um dia, que ele acabaria por desmarcar porque teria de estar bom tempo (que é para a sua equipa não ter de perder tempo à espera da secagem do chão), e lá marcámos um outro. E eu sempre ali às ordens de suas excelências, como é evidente.

Da segunda vez a equipa chega lá e diz-me que o chefe só lhes havia dado duas horas para ali estarem. Repare-se que em duas horas eles jamais teriam tempo de lavar de novo o chão (e esse estava a precisar de ser esfregado, mosaico a mosaico, com uma escova de aço, já que aquela máquina rotativa de pouco serviu à primeira), de o ver secar e de lhe aplicar o finalizador. Tudo isso seria, no mínimo, trabalho para uma tarde. Liguei para o homem e escutei o pior chorrilho de desaforos e de estupidez de que me lembro:

a) Que já era a segunda vez que ele ali mandava a equipa, e que não podia passar a vida a fazê-lo, porque já eram horas a mais;
b) Pelo que, se chegassem à conclusão que não se conseguia fazer melhor, ‘paciência’;
c) Que quem me pusera o chão naquele estado é que teria de se responsabilizar pela sua limpeza;
d) Que o mal fora ele não ter ido lá ver aquilo primeiro, pois se soubesse no que se iria meter jamais teria aceite o trabalho.
e) E que eu lhe dissera que os mosaicos eram iguais aos outros mas que isso não era verdade.

Passei-me, pois está claro! E quem me visse a espingardar ao telemóvel, de um lado para o outro da rua:

a) Que eu soubesse, não havia contratado um serviço de acompanhantes, para ter de lhes pagar à hora. O que eu contratei foi um serviço de limpeza. Logo, para limpar. E nada estava limpo. Donde, o contrato não foi cumprido. Vai daí, têm de limpar, demore lá as horas que forem;
b) Uma ova, aquilo poder não ter solução! Para já, eu ainda não tinha visto ninguém ali de joelhos a esfregar cada um dos mosaicos no sentido das ranhuras; e enquanto eu não visse isso, era certo de que nem tudo havia sido tentado. Todavia, se chegassem mesmo à conclusão de que não conseguiam realizar o trabalho pelo qual eu já pagara, isso nada teria a ver com paciência, mas sim com a imediata restituição do dinheiro que lhe dera;
c) Quem decide quem é que limpa a minha casa sou eu. Se limpa quem sujou ou quem tem por negócio limpar, digamos que a escolha pode não ser fácil (não antes, agora claramente que sim), mas compete-me a mim. A ele resta decidir se aceita o trabalho. E, uma vez que aceite, é sua responsabilidade fazê-lo bem;
d) Claro que sim, que o mal fora ele não ter lá ido; não se ter dignado a levantar o rabo da cadeira por uma vez que fosse, para ter a noção das coisas ao invés de colocar as culpas nos funcionários e nos clientes. Certo dia teve de passar por lá para entregar uma coisa ao empregado, e nem sequer se resolveu a entrar... Ora se isso não revelou logo falta de interesse e de profissionalismo!? Mas pior ainda é a falta de vergonha:
e) Então ele estava a pôr em causa a palavra de um cliente? Assim, gratuitamente, com base em absolutamente nada senão a mera fantasia? Ou seria por conta da primeiríssima impressão do seu funcionário, que mesmo esse já corrigira? E sobre um chão que ele nunca viu na vida? Mas que patife idiota!
Já agora, é claro que eu tenho foto de ambos os mosaicos, lado a lado, em catálogo. São irmanados e da mesmíssima qualidade, com as mesmas características, sem tirar nem pôr. Distinguem-se pela cor e nada mais.

Fazer obras é entrar num mundo verdadeiramente inacreditável. Isto é totalmente surreal!

Conclusão: ficaram lá por umas boas horas, limparam a maioria dos mosaicos à mão, com uma escova de aço, e o grosso das manchas foram suavizadas com diluente, muito a medo. Finalmente, o selante foi posto, o que deu logo um outro aspecto. E lá os deixei irem à sua vida. Mas é claro que ainda vou ter de esfregar imenso aquele chão. Imenso!!!


3. A PORTA DA ENTRADA

A minha ideia sempre foi trocar de porta. Para uma blindada, em princípio. Até começar a ouvir as histórias de que todo o bom ladrão assalta hoje uma porta dessas nas calmas, e que ainda é mais chamado a roubar se as vê, pois imagina que só meta tais trancas à porta quem tenha a proteger algo de valor. Mitos à parte ou não, tencionava tratar do assunto lá mais para a frente no tempo. E, por hora, mudar apenas a fechadura-mor.

Acontece que o senhor que eu tenho agora a trabalhar comigo (um anjo caído do céu, que me tem ensinado imensa coisa e tudo me cobra à mínima – quando cobra!) me fez ver que aquela porta, apesar de bem velhinha, é de madeira mociça, pesada e robusta, de boa qualidade e ainda pronta para as curvas. Vai daí, a decisão ficou em trocar-se o canhão de uma das fechaduras, substituir-se uma outra, que se encontrava desactivada, e dar um tratamento de SPA à dita porta, que consistia em lixar e passar-lhe com Bondex.

Estamos a falar de uns 60€ (canhão), mais 40€ (tranca) + 15€ (corrente para a porta + curva para o tubo do lavatório - arredondei para 20€) + 180€ (da mão-de-obra, que arredondei para 200€ porque o homem disponibilizou-se sempre a ir a todo o lado comprar-me tudo... E tem trabalhado imenso e bem) = 315€.

Acontece, porém, que a porta estava embruxada! Em primeiro lugar, ao tirar-se as ferragens percebeu-se que lá por dentro havia um legado enorme de truques e mais truques do velho tempo; pedaços de madeira outra e de contraplacado e o diabo a sete, que ali foram encaixados para melhor segurar as fechaduras. Bem pior do que isso foi a descoberta de que a porta era folheada toda à volta (em cima, em baixo e dos lados). O verniz humedeceu, melou e soltou toda a casquinha, que teve de ser retirada, ficando com um aspecto horrendo. Por fim, não havia meio de as novas fechaduras funcionarem como deve de ser. Ora não davam as voltas todas, ora o sistema exigia que eu as abrisse ao mesmo tempo, tendo de usar uma chave em cada mão (prático, não?), ora os ferrolhos não encaixavam nos buracos, ora os trincos se soltavam como que do nada...

O mais giro aconteceu ontem: eu fui para lá, mas o senhor acabaria por não aparecer, uma vez que o nosso trato era ele ir se não chovesse). Por lá fiquei em arrumações e experiências, e calhei a trancar-me por dentro. Mas quando decidi sair, já não sai!!! A chave entrava na fechadura mas não se mexia. Tentei, retentei e, já tinha as mãos doridas, quando desisti de tentar. A segunda fase foi uma tentativa de resgate, com um anjo do outro lado da porta disposto a tentar abri-la, assim eu conseguisse passar-lhe as chaves. Só que as chaves não cabiam em frincha alguma. Por baixo talvez passassem, mas teriam de subir um pequeno "degrau". Peguei num jornal, criei uma espécie de tapete-ponte, e lá foram as chavinhas parar ao outro lado. Só que a diferença foi nenhuma, porque mantiveram a sua atitude grevista. Vai daí, lá tiveram de vir os senhores das “Chaves do Areeiro” (que não são do Areeiro, é só para despistar), e eu lá tive de pagar 60€, porque todo o santo dia eu tenho de abrir os cordões à bolsa e sacar de lá um tanto que me custa tanto! L

[Hoje eu estava a achar estranho ainda não ter gasto uma quantia dessas, quando abro a caixa do correio e saco de lá uma carta da Segurança Social a cobrar-me 350€. Enfim!].

O mais giro disto tudo, é que eu não tinha bateria no telemóvel, pelo que, não fora o anjo da guarda, e lá teria de ir para o quintal lançar-me num berreiro a plenos pulmões, a ver se algum vizinho me fazia o favor de telefonar a quem viesse resgatar-me. E não pouco fartos devem andar os vizinhos daquelas obras eternas!

Mas finalmente a saga da porta chegou ao fim, depois de mil tropelias (tira tranca, mete tranca; a equipa das limpezas a roçar-se nela enquanto fresca; a corrente que o senhor comprou em dourado, quando tudo o resto é prateado). Agora tenho esse senhor dedicado ao banco-armário que tenho no quintal na zona da churrasqueira. Um trabalho que mandei o pseudo-empreiteiro abortar, de tão mal ele estava a fazer as coisas. Um trabalho pelo qual este senhor quer cobrar apenas o valor dos materiais (e não é de todos, porque o produto do tipo 'pele elástica' e tinta ele ainda tem).
No meio do azar...!...


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Em suma, pouco mais fiz do que ficar metida dentro daquela casa durante dias a fio, e com isso gastar 700€!

Numa próxima oportunidade tentarei dar conta da saga da caixilharia (e da minha "mais que tudo" janela da cozinha em guilhotina!), das grades de segurança e dos tampos em mármore (sim, que afinal o assunto não se ficaria pelo descrito na edição a esses consagrada!). Já para não falar da instalação eléctrica, dos móveis da cozinha e - porque não? - dos tampos do lavatório, que até estão giros mas que não foram nada fáceis. E hei-de tentar mostrar também o estado do meu anexo, com as suas vigas no tecto (lição de "como não fazer"), as manchas de humidade que me assolam e, finalmente, a lista de afazeres que o pseudo-empreiteiro tem em mãos, e que mais não são do que coisas que ficou de fazer e não fez, ou fez mal e terá de refazer.

Mas gostaria que o post seguinte fosse sobre boas notícias... Sobre o que vai estando feito. E até bem feito.